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terça-feira, 10 de junho de 2014

Birlikte Zusammenstehen

Resumindo a história: um grupo neonazista da Alemanha que se auto intitulou: “NSU” (Nationalsozialistischer Untergrund, em português: Clandestinidade Nacional-Socialista) mataram entre os anos de 2000 e 2007 dez pessoas, entre elas oito turcos, um grego e uma policial. A polícia alemã ainda estava investigando os crimes (que até então não haviam sido conectados entre si), até que dois neo-nazistas que estavam desaparecidos desde o final dos anos 90, cometerem suicídio após assalto em banco. No mesmo dia, a casa que ambos habitavam juntamente com uma mulher chamada Beate Zchäpe foi destruída por uma explosão. Entre as ruínas, policiais encontraram vídeos macabros onde o grupo reivindicava a autoria pelos crimes cometidos.
A motivação para os crimes foram, portanto, xenofobia e racismo. A própria polícia anteriormente acreditava que os crimes tinham sido por motivos de máfia turca, como se fosse um “acerto de contas”, e quando o verdadeiro motivo foi descoberto, lamentaram por talvez terem sido levados também pelo preconceito e não ter dado apoio para a família das vítimas. Angela Merkel também pediu perdão à família das vítimas, disse sentir “vergonha e luto” durante uma cerimônia realizada em 2012 em Berlin.
Além das pessoas mortas, houve diversos outros ataques pelo grupo NSU. Em 2004, o grupo neo-nazista detonou uma bomba de pregos no centro de Colônia (Keupstraße) que deixou 22 pessoas feridas, 4 em estado grave. A bomba foi projetada pelo grupo para “rasgar” dezenas de pessoas a morte pelos pregos.
Por ser uma região densa de restaurantes e lojas turcas, a polícia também tratou o caso como “conflitos internos”. Após a descoberta do grupo neonazista e então atribuição dos crimes, a população alemã ficou em choque.
Para lembrar as vítimas do terror neonazista, foi criado então o evento: “Birlikte Zusammenstehen” (7-8-9 de junho/2014) para, muito além de um minuto de silêncio pelas vítimas, debater sobre o assunto e celebrar com um festival de arte e cultura em sinal de clara solidariedade. Contra o neonazismo, racismo e exclusão. Por uma sociedade justa e solidária. “Wir alle, gemeinsam, zusammen, nur das kann die Lösung sein“ – “todos nós, juntos, só isso pode ser a solução“.

Keupstraße

A Keupstraße está em toda parte!

Várias faixas contra o neonazismo

Foto relembrando do ataque neonazista com a bomba de pregos

Discurso do Presidente Joachim Gauck

E a gente marcando presença! :)






sábado, 7 de junho de 2014

2 meses em terras germânicas!!

Quando eu finalmente me decidi que viria para a Alemanha fazer meu doutorado, comecei a procurar blogs e documentos sobre o povo alemão. Eu já namorava um alemão há mais de um ano, já tinha vindo para a Alemanha e conhecido alguns dos amigos do meu namorado, mas queria ter uma segunda opinião, mais científica, afinal, uma coisa era ser apresentada dentro do grupo, outra completamente diferente é chegar de para-quedas em um lugar novo!
Em geral, sempre li do mesmo: os alemães são frios. Os alemães são críticos. Os alemães são fechados. Enfim. Quanto ao frio eu diria que a expressão correta seria “a Alemanha é fria”. Estamos na transição primavera-verão e hoje, depois de 2 meses, consegui usar blusinha sem um casaco (mas com ele nos braços, claro) pela primeira vez.
Os alemães? São puramente educados, gentis e preocupados em não desagradar. Eu li uma vez que quando comparamos uma mãe alemã e outra brasileira com seus filhos brincando no quintal e as crianças começam a gritar, a mãe brasileira falaria para seu filho imediatamente: “pare de gritar, pois você está me incomodando!”, enquanto a mãe alemã falaria: “pare de gritar, pois você está incomodando os vizinhos”.
Nunca li descrição mais perfeita. Eles realmente têm esse senso de comunidade, escutar um funk no último volume pelo seu aparelho celular ou rádio portátil no transporte coletivo, por exemplo, está fora de cogitação.
Quando fazemos nossos almoços com várias pessoas em casa, cada um se serve e começa a comer, certo? Certo! Aí no Brasil. Aqui a resposta seria: errado! Todos se servem, e quando o último estiver pronto para comer, dizemos “Guten Appetit” e aí sim, podemos comer. Para um povo frio e mal educado, uma surpresa e tanto!
Meu nível de alemão é A0-A1. Como já escrevi aqui, a Alemanha é extremamente burocrática, por isso não pude participar do curso de alemão nesse semestre, pois perdi o período de inscrição, e as aulas nem tinham começado. Ainda assim, todos os dias, entre 2-3 horas, tenho estudado o idioma, preferencialmente de manhã, e todos querem saber meu progresso, corrigem pronúncia e ensinam alguma coisa extra durante o almoço. E eu achando que aqui só teria pessoas completamente indiferentes.
Quanto ao crítico, é verdade. Mas eu vim preparada para escutar críticas e críticas sem nenhum feedback positivo e patadas de diversas formas. Pisei tanto em ovos no início e por fim acabei me surpreendendo com opiniões me dando direcionamentos, com discurso claro, direto e principalmente interessado.
Escutei ainda muitas vezes que seria difícil fazer novas amizades, pois eles são completamente fechados. Claro, pode ser que dei “sorte” de entrar para um grupo de trabalho muito bacana, e sim, eles são mais reservados e seletivos, mas não significa que são inacessíveis.
Sinceramente, eu acredito que precisamos perder essa mania de estereótipos, independente se você está indo morar em outro país ou mesmo visitando. E claro, não é porque você teve o azar de conhecer um alemão mal educado que o resto da Alemanha é mal educada. Como no Brasil, na França, na Inglaterra e no mundo todo!

sábado, 31 de maio de 2014

Nijmegen

Só pra deixar claro, eu não falo Dutch (língua oficial da Holanda), mas eu leio o nome da cidade assim: “Naimérran” (caso queira ouvir a pronúncia, escreva no google tradutor e selecione "holandês" e clique no áudio). Até hoje todo mundo me entendeu. Tive oportunidade de ir diversas vezes para Nijmegen, mas confesso que em 80% das vezes foi porque estávamos entediados em Kleve e a vida noturna lá vale a pena!!
Durante o dia, a cidade tem calçadões com diversas lojas, e mesmo uma feira com um preço bem acessível, na qual até eu comprei alguns acessórios e mesmo roupas bacanas. Não sei se a feira acontece todos os dias, mas todas as vezes que cheguei durante o dia, estava lá montada no “Grote Markt”.
Ah, o Grote Markt é lindo!! Pare para tirar muitas fotos, lá tem diversas construções do século XV que hoje basicamente são restaurantes e pubs. Em uma caminhada rápida pelas redondezas você consegue se decidir por um e se admira pela quantidade gigantesca de cervejas no cardápio. Logo atrás do portal, está a "Sint-Stevenskerk", Igreja Medieval do Séc. XIII, incrivelmente linda mas bem difícil tirar fotos de perto, primeiro por ser enorme, e segundo por não ter muito espaço em volta.

Grote Markt de Nijmegen
Grote Markt de Nijmegen
Burchtstraat com torre da Sint-Stevenkerk iluminada ao fundo


 Se quiser uma recomendação, eu adorei o “Café in de Blaauwe Hand”, onde tomei pela primeira vez a apaixonante cerveja belga “Leffe Blond” (tem no Outback!). E ainda tomo quando volto pra Holanda.

Leffe Blond
Leffe Blond

Mas não deixe de apreciar as cervejas locais, como a “Hemel” e a “Tiep Top”.

Cervejas locais do Café In de Blaauwe Hand


Por fim, se estiver um bom tempo, compre algumas cervejas extras e vá até o Rio Waal, rio afluente do Rio Reno, para apreciar a vista. Só faça um favor a si mesmo, deixe para beber a Heineken no Brasil, tem MUITAS outras cervejas bem melhores esperando para ser apreciadas!! 

Rio Waal

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pontualidade Alemã

Faz pouco mais de um mês que estou morando na Alemanha e, claro, as primeiras coisas que nos acostumamos são as boas. Há um mundo a parte da burocracia chamado pontualidade e, acreditem, é muito mais famosa que a dos ingleses!  
Moro em uma cidade diferente da que estudo por opção (e economia), além de várias outras facilidades, mas pra isso preciso pegar um trem que leva 1h15 para chegar ao meu destino, então todos os dias às 7:22 ele está saindo da estação, 2-5 minutinhos antes (pelo menos) lá está ele, e não espera nada além disso.
Em qualquer lugar que você pegue os trens, S-Bahns, metrôs ou ônibus você sempre pode procurar pelo cartaz com todos os horários de saída da estação e mesmo o tempo necessário para chegar à estação desejada, e ainda na maior parte dos lugares tem um poste luminoso com o nome dos próximos transportes que vão chegar, quanto tempo falta (em contagem regressiva) e caso estejam atrasados, aparece na frente quantos minutos.
Aqui até mesmo os pontos de ônibus têm nome próprio, ou do bairro ou de alguma rua ou local próximo (como os metrôs e trens), o que facilita bastante pra procurar se aquele ônibus vai para o destino desejado. Então é só conferir quais os ônibus estão indo para o seu destino, checar o horário e ver qual deles vai passar primeiro! (Isso tudo no próprio ponto de ônibus, caso tenha acesso ao site, pode mesmo ver quanto tempo demora o percurso do ponto em que você está para o ponto de destino).
Mas claro que esse mundinho não é perfeito e cor-de-rosa quanto vocês estão imaginando! Acontecem sim alguns imprevistos, ainda que demorem certo tempo (No meu caso, basicamente 30 dias). Eu tive a felicidade de chegar em casa apenas 4 horas além da 1 hora e meia esperada, claro que pra desgraça ser completa foi num dia frio e chuvoso e com todo mundo falando alemão!! Hahaha, e eu desesperada pedindo informações em inglês... mas quando contei sobre o caso no trabalho dia seguinte com tamanha frustração por acreditar que os trens aqui eram perfeitos já me avisaram: situações como essa acontecem de tempo em tempo e ainda riram da minha ingenuidade. O problema maior é que o país inteiro confia nos trens, chegando a um ponto que não existia nem ao menos um ônibus para poder chegar ao destino final, sendo preciso então as pessoas se juntar para dividir o taxi!
Enfim, ainda que tenha falhas, para a visão de um brasileiro, podemos dizer que apesar de tudo é um sistema super mega excelente de transporte, claro que para os alemães tudo pode melhorar (e eles reclamam MESMO!), e por isso ficam extremamente irritados quando algo atrasa, pior ainda se eles estiverem pagando por isso (e não digo passagem, mas principalmente os impostos, ou seja, se é algo que depende do dinheiro público, deve no mínimo funcionar perfeitamente).
Na verdade, se quiser causar a fúria em um alemão eu diria que já conheço dois caminhos que é sucesso total: não respeitar as regras locais e se atrasar. Isso inclui atravessar a rua fora da faixa de pedestres ou no vermelho, por exemplo, e correr o risco de levar uma bronca de uma senhorinha durante a aventura! E atrasos não são tolerados, a não ser que o atraso seja pra sair com seu namorado alemão, geralmente eles são pacientes (e fofos!), mas se você marcou com outro casal ou tem alguma reserva ou qualquer coisa relacionada com cumprir regra ou horário, eu diria para não se atrasar a não ser que queira ouvir um alemão (ou vários) resmungando a noite toda.
Já no trabalho, com um chefe alemão, eu não ousaria chegar atrasada, por isso entro em pânico quando alguma coisa não funciona e confesso que já vivo de horário, e adoro quando tudo sai como planejado. Existe até um aplicativo (DB Navigator) que você coloca, por exemplo, horário que precisa chegar em tal lugar e ele te dá todas as opções e conexões para chegar a tempo. E você chega exatamente no horário estipulado! É pra qualquer paulistano acreditar que está no paraíso!!!

domingo, 20 de abril de 2014

Kleve


Apresento-lhes Kleve. Essa foi a primeira cidade que conheci na Alemanha, e também a cidade que hoje me acolhe nos primeiros dias morando aqui. Se você nunca ouviu falar sobre, não se preocupe, é uma cidadezinha de apenas 40 mil habitantes pertencente ao estado do Nordhrein-Westfalen, bem próxima da divisa com a Holanda. Eu acho a cidade extremamente simpática, mas tenho certeza que não é motivo suficiente para incluir a cidade no seu roteiro de viagem.
Basicamente de qualquer ponto da cidade, é possível ver o Schwanenburg (Castelo do Cisne) e a Igreja de St. Mariä Himmelfahrt. Ambas valem a pena a visita, e é possível ter uma boa vista da cidade se você estiver na torre do Schwanenburg. Kleve tem ainda um outro castelo chamado Moyland, um pouco mais afastado no distrito de Bedburg-Hau que, na minha opinião, é mais bonito que o anterior (pelo menos por fora), mas infelizmente ele foi parcialmente destruído e saqueado durante a II Guerra Mundial, o que faz dele inteiramente moderno no interior onde abriga um museu de arte moderna e contemporânea, bem como o centro internacional de pesquisa sobre Joseph Beuys. Super fácil de chegar, de trem é apenas uma estação e caso prefira ir de ônibus, é só pegar o número 44 em direção à Xanten no Busbahnhof. 
Agora estamos em plena primavera, o que torna as caminhadas pela cidade bem agradáveis. Você pode optar por caminhar pelo centro antigo e, quando estiver na direção do mercado Edeka, vire a rua contrária até a calçada próxima do canal Kermisdahl. Caminhando próximo do canal, aproveite para comprar algumas cervejas alemãs e alugue um daqueles pedalinhos (tretboot) para contemplar a natureza do parque de um ponto de vista diferente. Ou se preferir, somente caminhe ao lado do canal.

schnitzelandcaipirinha.blogspot.de
Tretboot Kleve

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Canal Kermisdahl e início da trilha


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Trilha ao lado do canal

Outra opção é caminhar pelo Tiergarten, tirar muitas fotos, uma vez que o lugar é lindo, principalmente agora na primavera cheio de tulipas e, caso seja seu interesse, tem um pequeno zoológico para visitar, apesar que dá para ver alguns dos animais caminhando por fora.


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Tulipas

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Pato gigante do Tiergarten

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Aproveitando o sol!!

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Curioso...

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Tiergarten
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Tiergarten


Por fim, caso seu interesse seja estudar na Alemanha e você não sabe falar alemão, Kleve é um boa opção. A Rhine-Waal University of Applied Sciences é uma universidade completamente nova (fundada em 2009) e oferece maior parte dos cursos de graduação inteiramente em inglês. O custo da universidade por semestre é de aproximadamente 240 euros, que inclui transporte por todo o estado, ou seja, você pode utilizar trem, ônibus e metrô por todo o estado do Nordhrein-Westfalen “de graça”, vale a pena!

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Desinformações brasileiras

Quando recebi as primeiras parcelas da bolsa na minha conta no Brasil pensei "que droga, o que eu vou fazer com o dinheiro aqui?", eu só não imaginava o quanto eu estava certa.
Minha primeira ideia quando ainda estava no Brasil foi transferir todo o dinheiro para a conta do meu namorado e aqui eu faria a retirada. Porém, enquanto eu estava no banco para fazer a transação, não só fiquei desanimada com as taxas que no meu caso ficaria aproximadamente 140 dólares para enviar o dinheiro mais as taxas de câmbio (como também teria que pagar taxas extras caso eu estivesse informando qualquer número errado) quanto o dinheiro demoraria de 4-7 dias úteis para chegar ao destino, tipo oi? Era uma quinta-feira e eu estaria na Alemanha na segunda-feira, ou seja, eu viria de avião e provavelmente mandariam o dinheiro de barquinho. 
Resolvi então fazer um daqueles cartões pré-pagos do BB, uma vez que não seria necessária a retirada do dinheiro, achei um bom negócio (sóquenão). Vou ser sincera com você que pretende vir passear na Alemanha (não posso dizer se isso acontece em toda Europa), mas os cartões não são bem vistos aqui, função crédito, por exemplo, jamais vão perguntar se você quer parcelar (acho que nunca ouviram falar sobre isso)... mas voltando à história, sei que paguei R$40 pelo cartão e vou pagar mais isso para cada recarga, não pago nada se usar como cartão de débito, mas para cada retirada existe uma taxa de €2,50,  uma vez que o cartão raramente é aceito, estou preferindo fazer retiradas, e eles ainda me juraram que seria possível ver o saldo em qualquer caixa eletrônico e que o menu seria em português, mentira e mentira. Nunca consegui ver a merda do saldo e tenho sorte que tem a opção em inglês, porque as outras são alemão e turco!! Por fim, estou tirando dinheiro no escuro com contas mentais, e quem me conhece sabe que sou ótima de memória...
Outra coisa, se um dia você precisar fazer uma cartão pra sair do país, saiba que o máximo é de R$10.000,00 ou valores correspondentes em outra moeda, quem estiver viajando é mais que ok, mas se por acaso você for bolsista como eu que recebeu uma bolada em reais (que, acreditem, dá uma boooooa enxugada em euros) que representa suas 3 primeiras mensalidades, auxílio-viagem, auxílio-instalação e seguro-saúde, você não receberá mais nada nos próximos meses e não pode levar todo o dinheiro!! Quer dizer, pode, mas eu estava com pressa, e fui informada que só precisava ter dinheiro na conta, cheguei lá queriam meu passaporte, comprovante de passagem aérea e o documento do Banco Central declarando o porquê de levar "tanto" dinheiro pra fora (hmm, pq preciso contratar um seguro saúde por um ano e viver nos próximos três meses, pagar um calção de 1400 do apartamento novo, €700 de aluguel, comprar móveis e ainda comer, que coisa não?!). Mas tudo bem, como me disseram que poderia recarregar pela internet depois (mentira também, só por telefone), fiz a recarga máxima dentro de um limite seguro para não precisar declarar o dinheiro.
Daí eis que no dia seguinte recebo com grande alegria (eu ainda não sabia do que estava pra acontecer) o tal do cartão BB Américas. Como a compra do euro está ligada ao meu CPF, preferi liberar o cartão na Alemanha e aqui tentaria movimentar minha conta para carregar o tal cartão que tem uma taxa de apenas 2 dólares!!! Mas como nada que é bom dura muito, eis que o tal BB Américas me pede o tal número identificador do Banco do Brasil. Achei que seria fácil, entrei em contato com o BB e eles falaram que é o BB Américas quem me informa. Liguei no BB Américas (ligação internacional para EUA) e eles dizem que o tal número identificador é fornecido pelo meu banco. E aí começou a novela que várias pessoas do meu facebook puderam acompanhar, nenhum amigo do BB sabia sobre isso, nenhum gerente das agências em Bauru souberam informar o número correto, o BB de SP não sabia do que eu tava falando e o BB de Frankfurt falou que só conseguiria tal número o Brasil mesmo. Nem sei dizer quantas horas meus pais ficaram nas agências em Bauru tentando fazer alguém entender do que eu precisava.
Por fim, uma amiga encontrou um número que deu certo para registrar a conta, mas pertencia ao BB Américas, logo não deu certo para identificar o meu banco, e então após alguns e-mail para o BB Américas e dias para receber a resposta (não dá pra ligar pros EUA toda hora!), uma criatura que não entendeu o que eu perguntei respondeu uma coisa que até agora NINGUÉM soube me dizer, que só dá para fazer transações para o cartão pré-pago do BB Américas a partir de uma conta americana. Lindo. Minha indignação: COMO NINGUÉM SABIA DISSO? Pouparia ligações, idas às agências e dias úteis para que eu me virasse de outro jeito!
Sei que então liguei no BB para recarregar o outro cartão mesmo, mas depois de ser empurrada para várias pessoas, me informaram que preciso ligar durante dias úteis e horário de banco, só porque sou correntista, ou seja, se eu não fosse teria mais vantagens?! Claro que hoje é feriado, e segunda-feira também, então só vou conseguir ligar (para ver se vai dar certo) na terça-feira. Me senti aquelas pessoas com TV por assinatura que querem mudar o plano e aproveitar os 3 primeiros meses com desconto mas não podem porque já são assinantes!!
Resumindo a história, disse que a Alemanha era burocracia pura, mas descobri que aqui na verdade são conjunto de regras bem organizadas, seguindo passo a passo você vê a luz no fim do túnel, agora no Brasil, são conjunto de regras que levam a lugar nenhum e ninguém sabe te informar sobre nada. Coisa linda de ver!


sexta-feira, 11 de abril de 2014

"Burocracia" deveria se chamar "Alemanha"

Pois é, já tinham me avisado, mas pensei: "no Brasil também tem um monte e sobrevivi"... o problema é: aqui NÃO EXISTE JEITINHO BRASILEIRO, ou seja, ninguém vai te fazer um favor e depois você traz algo que ficou devendo. Não, um passo de cada vez. 
No segundo dia de Alemanha eu já tive uma reunião com minha orientadora, como ela estará de férias nas próximas duas semanas, ela me deixou a vontade nesse período para resolver tudo o que eu precisasse. Pensei comigo, que exagero, daqui uns dias já estará tudo resolvido. #sqn
Passaram-se 5 dias e já começo a ficar preocupada se tudo estará resolvido até ela voltar. Basicamente preciso me matricular na universidade (o que na verdade não é uma necessidade para o instituto, por isso posso começar minha pesquisa ainda que não tenha vínculo com a universidade em si, porém é uma necessidade para o visto), me registrar na prefeitura da cidade (autorização para residência), abrir uma conta bancária (para futuros depósitos da bolsa) e fazer um seguro-saúde (também necessária para que eu receba os futuros depósitos da bolsa).
Comecei pelo óbvio: me matriculando na universidade. Mas não é assim tão simples! Eu preciso ser convidada para a matrícula, e para que eu seja convidada, precisei ir atrás de muitos outros documentos e informações que não tinha a menor ideia de que eram importantes, como minhas notas médias do ensino fundamental e ensino médio; ou mesmo uma carta de motivação sobre minha escolha pela universidade... oi? Pois é, depois de 2 dias eu consegui reunir mais ou menos o básico e acho que enviei a documentação toda. Quis saber se receberam toda a documentação e se estava ok e fui orientada a ligar na quarta-feira ou quinta-feira que vem para poder obter essa informação (?). Agora é esperar pelo dia certo para ligar, e, se tudo estiver correto, posso aguardar a tal carta e finalmente fazer a matrícula, pagar as taxas escolares e finalmente pegar minha carteirinha de estudante a qual me dará desconto no restaurante universitário e mesmo me dar direito de andar de trem/metrô/ônibus em todo o estado "de grátis"!!
Já para o instituto, ainda precisei passar por uma consulta médica e fazer alguns exames de rotina (sangue/urina) para poder ter o seguro interno (o que não tem nada a ver com o outro seguro que preciso contratar). Claro que no dia em que estava lá para isso não pude ir, porque o atendimento livre é somente pela manhã, se eu quisesse ir à tarde, precisaria marcar uma consulta (daí já era tarde para fazer o agendamento). Eu já fui, mas não estava "preparada" para um dos exames e vou precisar voltar semana que vem.
Bom, isso tudo sem contar que o campus é enorme, e cada coisa é em um prédio diferente, nem preciso falar que fiquei perdida diversas vezes, certo? Ah, e também tive ajuda de um colega do laboratório e do meu namorado, mas tornou as coisas um pouco piores, eles sabem falar inglês, mas se puderem falar alemão, eles preferem me ignorar e explicar para a pessoa que fala alemão, lógico!!
Enfim, antes de enviar a tal documentação correta, fui informada ainda que precisaria contratar o seguro-saúde para a matrícula (o que eu achei que fosse fazer de cara, por isso fiquei apavorada) e fui no mesmo dia em 4 empresas diferentes. A primeira era estatal, e calculou de acordo com minha renda, um cálculo absurdo, uma vez que ficou muito mais caro que eu poderia pagar. A segunda ficou de dar uma resposta depois, porque não sabia se eu me encaixava nos quesitos para ser assegurada, como não senti firmeza fui na terceira, que nem me recebeu porque sou estudante, e estudante não tem renda, nem adiantou falar que eu tinha bolsa. E a última não quis fazer um seguro para estudante enquanto eu não estivesse matriculada na universidade. Por fim, descobri umas empresas que fazem tudo direto pela internet e são específicas para estudantes, porém, para pagar a anuidade somente com transação de banco (lembra que ainda não tenho uma conta bancária aqui?). Só para constar, recebi a ligação da segunda seguradora, e não fui aceita! Aí eu desisti (por ora).
Bom, as outras coisas eu nem fui atrás, porque para pedir permissão de residência para estudante preciso provar que sou estudante (ou seja, somente depois da matrícula) e para abrir a tal conta no banco, somente depois que eu tiver permissão de residência, claro!! Resumindo a história, desde que eu cheguei eu ainda não parei, mas posso dizer que até agora não fiz absolutamente NADA. E continua.....