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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Final de semana em Hpa-An


Monge mirim em Hpa-An.

Hpa-An é a capital de Kayin State, estado que faz fronteira com a Tailândia. A cidade fica aproximadamente 270 km de distância de Yangon, porém a viagem entre as duas cidades leva em torno de 6/7 horas de ônibus. Nos arredores tem várias montanhas, cavernas, templos e pagodas (santuários budistas) para serem explorados.

Escadaria da montanha Zwe Kabin

Fomos na sexta-feira final da tarde em um ônibus “Express” (ônibus local, tipo uma viagem no tempo pra 30 anos atrás) e chegamos quase 1 hora da manhã. Na verdade, a saída estava marcada para às 18:30 no ticket, mas saímos de Yangon às 18:00 (eles avisam que devemos estar na rodoviária com 1 hora de antecedência). Fizemos uma parada longa para jantar e ir ao banheiro (aparentemente não é comum ter banheiro dentro do ônibus), porém não entramos em nenhuma outra cidade no caminho. O que na real nem faz sentido, uma vez que não existe uma rodovia propriamente dita, e sim um tipo de estrada vicinal (o que explica o tempo de viagem para uma distância tão curta).

Macacos nos telhados do mosteiro no topo da montanha Zwe Kabin e a vista durante trilha

No sábado fomos fazer a trilha pro topo da montanha Zwe Kabin (722 metros de altitude). Fica um pouco fora da cidade, então pegamos o “táxi” local, uma moto com um carrinho anexo pra até 6 pessoas (tuk-tuk) até a entrada da montanha. Estrangeiros precisam pagar 3 dólares (4.000 MMK) pra poder subir. A trilha é sensacional, no meio de muito verde, várias cachoeiras e nascentes. Mas a gente teve muito azar, 10 minutos na trilha e começou a chover extremamente forte. As escadas são irregulares e, de tempo em tempo, nascentes passam pelo meio dela deixando a pedra extremamente escorregadia. Por conta disso e da parada numa primeira parte coberta, demoramos 1 hora e 50 minutos pra terminar a subida (Nem preciso mencionar que chegamos ensopados no topo, né?!).

Vista de cima da pagoda, a gente ensopado no meio da neblina.

Fomos recebidos por uma família gigantesca de macacos pulando entre árvores e o telhado do mosteiro e um aviso: “pernoite não é permitida para estrangeiros”. Cogitamos dormir uma noite lá (lemos sobre a experiência em vários blogs), mas depois pensamos no trabalho em fazer check-in e check-out no hostel, levar as coisas pra cima e depois descer com elas, e desistimos. Ainda bem! Ao menos pudemos almoçar lá, tem um restaurante vegetariano com um preço bem acessível (arroz, legumes frios e refogados, sopa e chá deu 2.000 MMK por pessoa – pouco mais de 1 €). Também é possível comprar bebidas e snacks pro caminho de volta. Depois de repor a energia, subimos o final das escadas pra pagoda e ter acesso a vista sensacional (ironia).

Almoço no restaurante do mosteiro.

A gente ia descer pelo outro lado, aparentemente uma mistura de escadas e trilhas de terra, mas depois da chuva que pegamos pra subir, ficamos com medo de simplesmente atolar na descida! Caímos algumas vezes pra descer, mas levamos apenas 1 hora e 20 minutos pra chegar no ponto inicial. O mesmo taxista voltou pra buscar a gente (ele deixou o telefone dele com a gente), a viagem ida/volta custou 10.000 MMK (6,25 €). Já de volta, caminhamos pelo centro da cidade, rodeamos o lago Kan Thar Yar, tomamos um café numa padaria nas redondezas e voltamos pro hostel, exaustos. Não tem muita opção de bons restaurantes na cidade, mas tinha um razoável perto do hostel e acabamos jantando lá as duas noites. No dia seguinte, bateu um arrependimento duplo por ter feito a trilha no sábado: primeiro porque o dia estava lindamente ensolarado; segundo porque eu mal consegui ficar em pé! As pernas pareciam gelatinas e cada degrau fazia com que eu sentisse cada uma das fibras dos meus músculos doerem insanamente.

Pagoda Kyauk Ka Latt.

Saímos depois do café da manhã pra pegar um táxi (na verdade era um motorista informal) pra levar a gente primeiro pra uma das principais atrações de Hpa-An: a pagoda Kyauk Ka Latt. Fica no caminho pra montanha Zwe Kabin, logo, é possível combinar os dois em um único dia. Ficamos 1 hora por lá batendo fotos, subimos até a pagoda (um degrau por vez! :D), passamos pelo mosteiro e visitamos o templo budista Chan Thar Gyi.

Templo budista Chan Thar Gyi.

O motorista esperou a gente e de lá fomos direto pra caverna Kaw Ka Thaung. Nosso interesse na verdade era visitar o vilarejo próximo. Tem diversas outras cavernas na região, mas não é recomendável visitá-las no período de monções e preferimos não correr o risco. Se fosse o caso, seria necessário ficar mais um dia pra poder visitar todas.

                                    Budas infinitos dentro da caverna Kaw Ka Thaung.

O vilarejo foi uma surpresa bem agradável. Tinha um movimento enorme de nativos estacionando, pensamos até que estava tendo algum tipo de evento. Mas na verdade a vila é cheia de restaurantes sobre o lago e termina num tipo de piscina pública (que estava lotada)! Almoçamos por lá e esperamos a chuva passar pra poder voltar pro ponto inicial onde o táxi foi buscar a gente. O trajeto total (em torno de 4 horas entre dirigir e esperar) custou 20.000 MMK (12,50 €).

Piscina pública do vilarejo com vários nativos.

Na cidade andamos meio sem rumo, entramos nos templos, algumas lojinhas locais, nas pagodas Thit Hta Man Aung (na rua principal) e a Naung Taw Gyi, que tem uma vista fantástica pro rio Salween (Thanlyin River).

Rio Salween: vista da pagoda Naung Taw Gyi.

Depois de lá, fomos jantar, voltamos pro hostel pra tomar um banho e carregar o celular antes de pegar o ônibus noturno. Dessa vez era um dos VIP, que era pra ser dos melhores. Bom, e era. Fomos 45 minutos mais cedo com medo de acontecer o mesmo que na ida, mas dessa vez o ônibus veio 50 minutos atrasado. E na verdade não existe rodoviária, é um ponto de encontro! Como era tarde, não tinha ninguém na rua, estava chovendo torrencialmente e todos os pontos secos que tentamos nos esconder aparecia uma barata (Leia isso chorando. Obrigada). Logo, preferi ficar na chuva na incerteza se o ônibus realmente viria. O ônibus veio, tinha coberta, água, tv individual que nem em avião, mas de novo, não tinha o principal: banheiro! Fizemos a mesma parada que na ida, e dei trabalho porque precisei ir uma segunda vez (pediram no pedágio pra me deixar usar o banheiro deles). Dessa vez fomos parados na fronteira do estado e o policial especificamente foi direto nos assentos ocupados por estrangeiros (provavelmente deve ter sido previamente informado) pra checar nossos passaportes.

Vista do vilarejo saindo da caverna 

Se fosse o caso de estar mochilando pela Ásia, o melhor seria continuar até Myawaddy e de lá passar pela fronteira pra Tailândia. O ônibus Express local é muito barato, custou 4 dólares (Yangon > Hpa-An)! Eu não ando com a mesma paciência de antes pra cálculos, mas acredito que a viagem toda (ônibus ida/volta, hostel, alimentação, atrações e táxi) custou em torno de 50 € por pessoa.

Caminho entre caverna Kaw Ka Thaung e vilarejo.

Pra finalizar, gostaria de dizer que estou cansada de ouvir pessoas arrotando e escarrando na rua. Desculpem o desabafo nada a ver com o final de semana turístico e até o próximo passeio.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Myanmar: primeiras impressões.

Vendedor de flores em Yangon, Myanmar

Finalmente entreguei minha tese. Não, ainda não terminei o doutorado, mas a partir do momento em que entrego a tese impressa e documentação, a única coisa que preciso fazer é esperar autorização pra marcar a data de defesa (na faculdade de medicina da RWTH demora em torno de 6 meses). Apesar de não receber mais a bolsa, tenho a devida autorização do governo em permanecer no exterior até a defesa e também pra realizar meu estágio fora da Alemanha. E sim, logo que eu defender o doutorado, finalmente nos mudamos para o Brasil!
Todo mundo me pergunta, mas por que Myanmar?! Não faço ideia. Na real, eu nem sabia onde o país ficava no mapa quando o Tim falou que foi aceito para um estágio aqui. Pra deixar a história curta, logo após aprovação do estágio dele, também enviei alguns currículos e no fim ambos fomos aprovados como estagiários (voluntários) na ONU Myanmar, em Yangon. O Tim está no departamento de drogas e crime (UNODC) e eu vim para a saúde do migrante (IOM/UM Migration).

Bike-táxi.

Já faz 3 semanas que estamos aqui, e finalmente resolvi escrever sobre nossas primeiras impressões. Chegamos em Yangon em plena estação de chuva: basicamente fomos recebidos com chuva e ainda não parou de chover. Fomos recebidos diretamente pela dona do apartamento que alugamos ainda da Holanda. Ela nos buscou no aeroporto, nos levou pra comprar chip pro celular, pra jantar, ao mercado e, finalmente, pro apartamento. Isso já mostra um pouco a personalidade das pessoas locais, só falta pegar na sua mão pra tentar te ajudar com o que for necessário.

Chuva em Yangon (essa tá fraquinha).
O apartamento é simples, mas exatamente como vimos nas fotos. Tivemos muita sorte porque aparentemente muitos estagiários internacionais vem para Yangon apenas com hotel e tenta alugar apartamento ao chegar aqui. Porém, dificilmente consegue-se fugir dos preços já vistos em Airbnb (que são exorbitantes para o padrão do país) ou ainda alugar temporariamente um lugar por menos de 6 meses (a gente fica 4 meses, no caso). Locais não falam inglês, e apartamentos “próprios para estrangeiros” seguem um outro padrão completamente diferente do padrão local, o que deixa o custo bem mais elevado. O que a gente conseguiu é bem meio termo, moramos num condomínio de prédios com portaria e segurança, mas numa área fora do centro onde há maior concentração de estrangeiros.
Como chegamos no domingo com jetlag e começamos a trabalhar diretamente na segunda-feira, na primeira semana só conseguimos prestar atenção na chuva, em como já se sai suando do banho devido ao calor, no trânsito caótico, na chuva,  na falta de calçadas na rua, em como o taxista não é capaz de ler o endereço no google maps, na chuva, e na comida, que, na minha opinião, foi único ponto positivo dos primeiros dias.

Comida de rua em Yangon, Myanmar.

No primeiro final de semana, tentamos sair pra conhecer o centro e foi um desastre. Choveu torrencialmente o final de semana inteiro. Única coisa que conseguimos fazer foi entrar no primeiro shopping e passar o dia lá, infelizmente. No domingo fizemos o passeio de trem em Yangon, mas depois escrevo mais especificamente sobre o passeio com fotos que tiramos do trajeto.

Mercadinho com frutas.

Alguns fatos básicos:
- Não usamos sapatos no local de trabalho: antes de vir estava preocupada comprando algumas roupas mais sociais pra trabalhar e eis que, quando chego, precisei diretamente tirar os sapatos pra entrar no prédio. Hoje estou completamente habituada a usar havaianas diariamente. Não é assim em todos os lugares, o Tim mesmo trabalha de sapatos. Mas definitivamente chinelo é tipo um sapato oficial na rua.
- Eles são extremamente conservadores. Uma vez vim de calça social e blusinha cavada com renda. Look completamente ok, eu juro! Sem decote. Minhas colegas locais me chamaram pra ir comprar roupas pós expediente e fui junto, numa promoção que elas queriam aproveitar. Como não tinha provador, tirei a calça pra experimentar as saias, mas a blusa colocava por cima da minha blusinha mesmo. Na hora de ir embora uma delas deu um grito que tinha esquecido de colocar minha blusa! Hahaha. Foi o dia que percebi que provavelmente não estou usando roupas adequadas pra trabalhar! :D
- É comum ver homens usando saias (longyi) e mulheres com roupas típicas e thanaka no rosto, parece argila, mas é uma pasta de uma árvore local que aparentemente protege a pele do sol e dá uma sensação de frescor. Ainda não testei!
- Não tem calçada. A gente divide a rua com os carros, ônibus, bicicletas e vendedores ambulantes. O tempo todo você leva buzinada e precisa grudar nos carros estacionados enquanto pula poças de água da última chuva nos buracos.
- Ninguém espera você atravessar a rua. Na verdade, essa é uma das maiores aventuras na cidade. As avenidas chegam a ter 4 ou 5 faixas até (pra cada lado), logo, é impossível esperar não ter carro algum pra atravessar. Então você vai atravessando faixa por faixa enquanto carros passam na sua frente e atrás de você. Eles vão todos buzinar, mas não tem o que fazer.

A rua é de todo mundo! 

- Maioria dos motoristas dirigem no lado direito. Ônibus é no lado esquerdo mesmo. Alguns carros mais novos também é no esquerdo, mas é raro. Porém, não é mão inglesa! É uma bagunça e não só por isso. Carros não respeitam outros carros. Ainda que se dê a seta, ninguém vai deixar o carro entrar. Se estiver vindo de uma rua menor pra entrar na avenida com trânsito, o carro na avenida chega a buzinar pra não deixar a pessoa entrar, mesmo que ela fique parada fechando a passagem. Logo, os motoristas são extremamente agressivos na direção, com muita buzina e um fechando o outro. Eu parei de prestar atenção pra não ficar mais desesperada!
- As pessoas encaram. Na Europa, a mistura de raças, nacionalidades, estilos, etc. é tão grande que ninguém se preocupa muito em te olhar duas vezes. E, se fazem, normalmente te ignoram logo em seguida. Com exceção de alguns alemães que adoram dar umas encaradas, mas são situações raras. Enfim, aqui eles te encaram sem escrúpulos, principalmente em locais com menos turistas. Crianças param até de brincar na rua para poder acenar pra gente! Em parques, algumas pessoas já até pediram pra tirar selfies com o Tim! Haha. Mas é importante dizer que eles não fazem por mal, é pura curiosidade. Geralmente eu encaro de volta e dou um sorriso, e recebo outro. Acho simpático.
- Tem lixo em todo lugar. Não há sistema de reciclagem, quase nunca vejo lixeira na cidade, mas lixo tem por toda parte: na rua, em terrenos, no rio. Ratos também. Barata, por incrível que pareça, não vi tantas, mas as que vi já estavam bem-criadas! Eu acredito que deve ser por causa da chuva.

Trânsito e pessoas caminhando na rua pela falta de calçada.

Quanto ao trabalho, é sensacional! Estou ajudando com relatórios, pedidos de financiamento e pesquisa para o projeto de erradicação do HIV/AIDS junto com outras organizações (inter)nacionais e ministério da saúde e do esporte de Myanmar. Trabalho principalmente com médicos discutindo políticas de saúde pública baseadas em dados recentes populacionais. É aquele momento orgulho em vir de um país com reconhecimento internacional na área (SUS) e de abrir horizontes pra novas opções de trabalho quando chegar o momento de voltar pra casa. É experiência muito além da profissional! Tô simplesmente amando! 😊

Bom, e ainda temos muito o que explorar. No final de semana que vem vamos pra Hpa-An. Assim que der, vou atualizando com mais detalhes da vida em Yangon, de outras cidades em Myanmar e mesmo alguns passeios pela Ásia. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

3 dias e 4 noites em Portugal

Düsseldorf >> Porto >> Fátima >> Lisboa >> Frankfurt


Chegando em Porto (aeroporto)

Cais da Ribeira, Porto

O aeroporto de Porto é relativamente pequeno e com muitas placas indicativas. É obrigatório comprar um cartão individual para a utilização do metrô e a operação de compra também deve ser feita individualmente. Ou seja, eu quis comprar dois tickets de uma vez, mas no fim, eu estava comprando duas viagens para um único cartão. Um ajudante que estava perto chamou minha atenção e apontou as regras ao lado da máquina (em português, inclusive! Haha). Ah, e se for o seu primeiro destino em Portugal e não tiver dinheiro trocado, é melhor voltar ao saguão e comprar algo, pois as máquinas aceitam apenas moedas. Um sistema meio português burro, mas enfim. Cavamos todas as moedas do bolso e compramos dois tickets pra zona 4 (tem um mapa ao lado e é só conferir a estação que precisa ir saindo do aeroporto, eles calculam cada zona por tempo de viagem. O mapa do metrô é bem simples, o aeroporto fica na Zona N10 e nosso hotel ficava entre a estação Bolhão e Campo 24 de Agosto (ambas na zona C1). O cartão custa 0,60€ e a viagem para a Z4 1,95€. Saindo do aeroporto tem apenas a Linha E sentido Estádio do Dragão. Eles oferecem ainda um “andante tour 1” de 7€ válido por 24 horas e “andante tour 3” de 15€ válido por 72 horas. Mas como nosso hotel era extremamente central, acertadamente compramos um bilhete único e depois não foi mais necessário utilizar o transporte da cidade.

Estação Ferroviária de Porto - São Bento

É necessário validar o ticket apenas antes de entrar no metrô. Caso troque de linha, precisa validar de novo antes de entrar na próxima condução. Não há catracas ou controle permanente. Se ainda estiver dentro do tempo comprado (de acordo com a zona), não tem problema e nenhuma taxa adicional será necessária.

Para checar preços atualizados é só clicar aqui



2 noites e 1 dia em Porto:

Na primeira noite, apenas saímos pra dar uma volta rápida na redondeza e, obviamente, comer bacalhau, tomar vinho e finalizar com um vinho do porto. Apesar de termos ficado numa área mais central, era um pouco “longe” dos pontos turísticos, o que resultou num jantar mais barato que esperávamos (pratos variam entre 7 e 12 euros). Saímos de lá e fomos pra um bar na tal região badalada (próximo da Rua da Galeria de Paris) pra tomar uma cerveja portuguesa (sei que é covardia comparar com a cerveja alemã, mas foi a primeira e única! :D) e escutar música, nesse dia, brasileira! Pra ser sincera, Porto foi amor à primeira vista!

Terreiro da Sé, Porto

No dia seguinte, logo cedo, nos preparamos para o walking tour. Pensamos que teríamos a opção em português, mas ainda em Portugal as opções são: inglês e espanhol. Pela primeira vez na vida fiz um tour em espanhol. Mas como o nosso guia estava aprendendo espanhol e ele falava basicamente um portunhol, foi bem tranquilo! Na verdade, mais que isso, foi sensacional! Pra quem tem pouco tempo na cidade, que era nosso caso, vale muito a pena. O tour foi de 3 horas, repleto de história e visita nos locais por tempo cronológico, e onde descobrimos que o vinho do porto nada tem a ver com a cidade de Porto. Foi bem chocante na verdade...

Rio Douro e a Ponte S. Luís I

O tour incluiu todos os pontos turísticos centrais: iniciando na parte medieval (Sé do Porto), passando pelo Palácio da Bolsa, Cais da Ribeira, Ponte S. Luís I, Rua das Flores, Estação São Bento, Livraria Lello e finalizando na Torre dos Clérigos.

Torre dos Clérigos

Durante a tarde comemos bolinhos de bacalhau e os pastéis de nata, deixamos o almoço pra lá pra poder explorar melhor a cidade. Depois do tour ainda passamos pelos jardins do Palácio de Cristal e chegamos até o Mercado do Bom Sucesso. Eu queria ir pra Foz do Douro (praia!!), ao menos pra caminhar beira mar, mas estava ventando muito e prometendo chuva até a noite e resolvemos caminhar somente beirando o rio Douro. Pensamos em visitar as adegas, mas concordamos que um tour explicativo no dia era suficiente e que o dinheiro seria mais bem gasto bebendo vinho que pra saber como eles são produzidos. Passamos ainda pelo famoso Café Majestic (claro que só por fora) e pelo Mercado do Bolhão, mas já estava fechado.

Jardins do Palácio de Cristal

Pegamos um pouco de chuva e voltamos para o hotel pra deixar câmera e mochila e descansar um pouco até sair pra jantar. Dessa vez, eu resolvi experimentar o tal do famoso prato típico de Porto (que até então eu ignorava a existência): “francesinha”, que é feito com fatias de pão de forma com salsichas, linguiça e bife no meio, queijo derretido por cima, um ovo frito por cima do queijo, molho de cerveja com caldo Knorr e batata frita pra acompanhar. Não me perguntem o porquê de inventar de comer esse negócio. O prato não era de todo ruim, mas eu odiei o molho. Meu pai escolheu as sardinhas com legumes e batata, pra sorte dele tenho preguiça dos espinhos da sardinha ou ele teria perdido o prato dele.


Porto a Fátima

Santuário de N. S. de Fátima

Não há trem (comboio) de Porto para Fátima. Se a intenção fosse ir direto pra Lisboa, o preço do ticket seria entre 24 e 30 euros (dependendo de qual velocidade de trem escolhêssemos). Sei que é mais barato se comprado com antecedência, mas preferimos deixar mais espontâneo de acordo com nossa necessidade. Dessa forma, compramos nosso ticket na hora da Rede Expressos na rodoviária (estação de autocarros) que fica na Praça da Batalha. O bilhete comum custou 17,50€ e há desconto pra estudante (até 30 anos), que fez o preço cair pra 14,90€ (se você não perguntar pelo desconto, ele não é oferecido). São 2 horas de viagem e não há paradas entre as duas cidades.


Fátima

A rodoviária em Fátima é quase dentro do santuário, o que facilitou muito a visita. Chegamos às 10:00 e compramos o ticket de ônibus pra Lisboa às 15:00. No próprio guichê da rodoviária tem um guarda volumes onde é possível deixar malas/mochilas. Deu tempo mais que tranquilo de tomar café da manhã, assistir missa (tem quase que de hora em hora), acender nossas velas e conhecer o santuário. Ainda compramos algumas coisinhas – fora do santuário, dentro dele não vimos comércio algum, nem mesmo cafeteria – comer alguma coisa rápida e esperarmos um tempo na rodoviária até dar nosso horário. Tivemos a sorte de visitar esse ano, justamente no ano do centenário das aparições de Fátima (1917-2017), com direito à oportunidade super bacana de ver a exposição temporária “as cores do sol” sobre o centenário. No site oficial tem horários de missa, confissões e terços. O santuário é lindo, mas vale a pena apenas para assistir uma missa e seguir viagem.

Santuário N. S. de Fátima


Fátima a Lisboa
Ônibus (autocarro) pra Lisboa custou 12€ (10,20€ com desconto) e a viagem durou 1 hora e meia, também sem paradas. O ônibus chega diretamente na estação de Sete Rios/Jardim Zoológico.

Pra consultar horário e preços atualizados é só clicar aqui


Transporte em Lisboa

Bondinho em Lisboa

Extremamente confuso, diga-se de passagem. Nos mapas turísticos, há apenas o mapa do metrô, que se resume em quatro linhas. Como o objetivo inicial era chegar ao hotel, compramos nosso ticket de uma ida até nossa estação. O metrô é o mesmo esquema de SP, enquanto não sai da área interna, pode trocar de linha quantas vezes você quiser. No metrô, diferente de Porto, é necessário validar o cartão ao entra e sair. Se for ônibus/bondinho, é apenas ao entrar.
Nosso maior problema com o transporte foi encontrar um mapa completo com as linhas, seja impresso ou informativo no próprio ponto de ônibus. No máximo eles adicionam as linhas dos comboios no mapa do metrô – o que deixou mais confuso, pois achamos que tinha uma linha de metrô até Belém, por exemplo, mas na verdade era comboio. Não há informações sobre ônibus e bonde (somente os nomes dos pontos, que não ajudam muito). Basicamente pegávamos as linhas na sorte ou por ver o destino final escrito na frente. Como pegamos um cartão pra 24 horas, se estivesse errado, era só descer e pegar outro. Mas pra uma capital, ficou bem a desejar.
O bilhete diário é uma mão na roda, mas precisamos de algumas horas pra entender o que era a tal de carris, transtejo (cacilhas) e CP. Não há informação alguma nas estações por escrito que possam ajudar turistas. E se você tiver o azar de precisar comprar um ticket no domingo saindo de uma estação pequena, que foi nosso caso, não há ninguém nos guichês pra ajudar. As opções eram: Carris/Metro 6,15€ - Carris/Metro/Transtejo (Cacilhas) 9,15€ - Carris/Metro/CP 10,15€, todos válidos por 24 horas após primeira validação. Descobrimos depois que a tal de Carris era a empresa de ônibus e bondinho, acreditamos então que a primeira opção atenderia nossas necessidades. Ah, o cartão custa adicionalmente 0,50€ e é válido por um ano. Ainda que a intenção seja utilizar esporadicamente, fica mais barato comprar um único cartão e colocar crédito nele (segundo nosso “guia”, o crédito descontado do cartão é mais barato que comprar unitário com o motorista).


2 noites e 1 dia em Lisboa

Nós nos hospedamos na freguesia de Arroios, próximo da Baixa-Chiado e razoavelmente próximo do Bairro Alto (uns 2 km). Na primeira noite fizemos apenas um reconhecimento de território, caminhamos até a Marquês de Pombal e de lá descemos a Avenida da Liberdade toda, passamos por Rossio, Baixa-Chiado e Praça do Comércio. Passeamos um pouco na orla do Tejo, a intenção era chegar até Santa Apolónia passando pelo Museu do Fado, mas achamos uma redondeza um pouco abandonada então voltamos pra jantar na Baixa-Chiado: mais uma noite de peixe (bacalhau e salmão) e vinho, claro.
Depois da nossa experiência super positiva com o walking tour em Porto, fomos cedinho pra Praça Luís de Camões encontrar o pessoal pra 4 horas de tour pelo centro de Lisboa. Dessa vez não tinha ninguém mais interessado no tour em espanhol e ficamos no guia inglês. Azar em dobro, nosso guia era beeeem maçante. Abandonamos o tour depois de quase 1 hora e 5 quadras (!!!!!!) com a história dos reis de Portugal até início de Lisboa e zero conhecimento sobre a cidade.
Mosteiro dos Jerónimos

Decepcionados com o fiasco, compramos nosso ticket 24 horas carris/metro e fomos em direção a Belém. Em Cais de Sodré, descobrimos que a tal linha cinza era comboio, e nosso ticket não permitiu nossa entrada. Ok, saímos da estação e vimos, por pura sorte, um bondinho indo pra Belém! Descemos no ponto final, ao lado do Mosteiro dos Jerónimos. Aparentemente nós tivemos a sorte (ou azar) de ir pra Belém no primeiro domingo do mês, quando as visitas à Torre de Belém e ao Mosteiro dos Jerónimos são gratuitas. Ambos estavam com filas quilométricas.

Torre de Belém

Compramos salgados de peixe, um vinho verde e nos sentamos em frente da Torre de Belém por um tempo, observando o rio Tejo, os turistas passando e tava rolando até uma pelada de locais. Por fim, decidimos não perder tempo do passeio parados em filas nem de um e nem de outro. Caminhamos pela orla do Tejo até o Padrão dos Descobrimentos, visitamos uma feirinha no Centro Cultural de Belém e finalizamos a visita comendo os famosos pastéis de Belém (pra comida a gente faz um esforço e fica na fila! :D). Sério, nenhum pastel de nata chega aos pés do que a gente comeu lá.

Padrão dos Descobrimentos

Esperando o bondinho comendo os pasteizinhos de Belém


Por fim, pegamos um bondinho L-O-T-A-D-O até o Cais do Sodré e caminhamos de novo ao longo do rio Tejo até a Praça do Comércio. Então subimos pro Elevador de Santa Justa, incluso no ticket 24 horas (operado pelo carris – mas somente pra pegar o elevador, e não pra vista panorâmica no andar de cima). De lá finalmente pegamos o bondinho histórico até Prazeres (número 28) e voltamos na mesma linha até Arroios.

Cais do Sodré

Passamos no hotel e voltamos no Bairro Alto pra jantar. Finalizamos a viagem com caldo verde, mais bacalhau, salmão e vinho. Para uma próxima vez, ficou faltando ir para o castelo de S. Jorge e assistir o Fado. Quem sabe não voltamos logo!

Rio Tejo, Lisboa


Aeroporto Lisboa

O aeroporto de Lisboa é bem tranquilo de chegar. O próprio metrô tem uma estação dentro dele! Além do metrô, há shuttles e linhas de ônibus que vão ao aeroporto. Um único porém é, caso esteja viajando com companhias low-cost, precisa pegar um ônibus para o Terminal 2. Mas nada problemático. É só chegar com tempo, o ônibus é gratuito e sai de 10 em 10 minutos.


Na Alemanha: aeroportos de Weeze e Frankfurt-Hahn

O aeroporto de Weeze, apesar de fora de mão e demorado pra chegar, é relativamente tranquilo. Mas o aeroporto de Frankfurt-Hahn foi a pior ideia da viagem. Pensei que aproveitaria o ticket super em conta da Ryanair e, de quebra, passearia em Frankfurt antes de voltar pra Aachen. Mas o aeroporto fica no meio do nada e a distância do aeroporto até Aachen é basicamente a mesma até Frankfurt. Não tem nenhuma estação de trem por perto e ônibus são escassos. Eu só queria saber se podia sair dali com o ticket Quer-durchs-Land (que cobre todo território alemão – que, aliás, é ótimo pra quem está viajando pela Alemanha: custa 44€ pra uma pessoa e 8€ adicionais pra cada pessoa extra– pode viajar no máx. 5 pessoas por um dia inteiro, sem limites, apenas nos trens regionais), como estava fora do meu estado, seria a opção mais em conta pra duas pessoas de forma espontânea, mas pelo jeito os funcionários do balcão de informações do aeroporto não estão muito atualizados sobre isso.
Recebi a “dica de ouro” de conversar direto com o motorista de ônibus em 2h e meia, quando viesse o próximo ônibus pra Koblenz. Quando deu o horário, percebemos que não vinha ônibus algum. Do outro lado do aeroporto tinha uma companhia privada que operava alguns destinos como Trier, Mainz, Mannheim, Frankfurt, Luxemburgo ou França. Na verdade quase fomos com eles pra Trier – o ticket custaria 22 euros por pessoa comprando no ônibus, na hora. Se eu comprasse online (também na hora), seriam 12 euros. O ônibus foi vazio, mas não me venderam pelo preço da internet e no meio do nada, obviamente a conexão não ajudou muito pra conseguir comprar a tempo. E enquanto estava conversando no guichê deles pra enfim pegar o ônibus pra Frankfurt (15 euros por pessoa – 2 horas de viagem e de lá ver o que faríamos pra chegar em Aachen), a funcionária, que poderia não me dar informação alguma, fez o serviço que deveriam ter feito no balcão de informações do aeroporto: google e telefonemas e descobriu que eu poderia sim pegar ônibus com o ticket que eu queria comprar desde o início e me explicou, de forma correta, onde era o ponto de ônibus que eu estava procurando. Ou seja, estávamos o tempo todo no lugar errado. É FORA do aeroporto!

Com essa informação, não fazia sentido pagar extra num ônibus privado e depois adicionalmente comprar o ticket de trem. Fomos pra estação de ônibus público e lá o motorista não vendia o ticket porque eles não são válidos nas linhas de ônibus (oi?). Exaustos, simplesmente entramos no ônibus e seguimos pra próxima estação de trem da região, em Bullay (?), do tipo, no meio do nada mesmo! De lá, conseguimos comprar o ticket Quer-durchs-Land e finalmente chegamos em Koblenz, onde já deu pra relaxar e pegar a linha direta até Colônia. Aproveitamos pra esticar o passeio lá, visitar a catedral, centro histórico, jantar e, finalmente, terminar nosso passeio seguindo pra Aachen.

Catedral de Colônia, Alemanha

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

De que cor é o seu mundo?



 
Fonte: ClipArt


Algumas semanas atrás, na aula de alemão, li uma história fantástica que infelizmente não consigo achar na internet, vou contar ela bem mais ou menos, resumida e porcamente, mas apenas pra passar a mensagem e quando encontrar atualizo o post para dar os devidos créditos:

“Era uma vez, num país qualquer, vamos dizer Alemanha, uma criança nasce com um óculos de lente azul. Ninguém acha estranho, afinal todos nascem com esse acessório nesse país. Não é possível tirá-lo e, enquanto ela cresce, tem apenas uma certeza: o mundo é azul! Enquanto isso em um outro país, vamos dizer Japão, uma outra criança nasce com um óculos de lente amarela. Ninguém acha estranho, porque todos naquele país nascem com o mesmo acessório. Essa criança cresce com uma certeza: o mundo é amarelo! Mas o jovem alemão, com suas lentes azuis, vai morar um tempo no Japão e abre um pouco seus horizontes sobre o mundo. Ele observa os costumes desse país e resolve escrever um artigo com muita propriedade sobre a cultura japonesa: o país é verde!”


Acredito que o texto seja bem claro, e ele é uma ótima introdução sobre o que quero escrever: sabe aquele ditado que a vida filtra nossos amigos? Achei que era besteira. No entanto, escolhas como onde morar, estado civil, filhos, profissão, religião, partido político, todos eles são filtros poderosos. Desde que vim morar na Alemanha, percebi que apesar dos mais de 2 mil amigos no Facebook, cada vez que vou ao Brasil, são menos pessoas que faço questão de visitar ou de me esforçar para fazer alguma programação. Cada vez tenho menos contato com pessoas que nunca foram importante na minha vida. Alguns, ainda que tenha tido pouco contato durante o ano, ainda tenho um carinho imenso e fico mega feliz de encontrar.
Mas o que tem me chamado mais atenção ultimamente é de como política, leia-se hipocrisia e falta de respeito, nos afastam das pessoas, ainda que online (e consequentemente offline). Desde as últimas eleições, são tantas pessoas postando cada coisa revelando um ódio que eu não imaginava ser possível possuir, que infelizmente toda minha vontade de conversar com essa pessoa foi por ralo abaixo. É que ela não sabe mais falar sobre outra coisa, vira um reclamão da vida, da política, de como está tudo errado, do país de merda que vive, que eu tenho sorte de estar longe, e pronto, adeus vontade de continuar vendo suas postagens. Sim amigo, se a carapuça serviu, você provavelmente está bloqueado. Ou talvez você seja um dos amigos excluídos mesmo. É completamente ok ter uma opinião diferente da minha. Acho que é saudável, democrático. Mas é ingênuo pensar que só você tem razão. Acho bacana quem sabe postar sobre coisas diferentes do que eu acredito num ponto de vista que eu entendo, ainda que não concorde.
Da mesma forma que o contrário também é verdadeiro. Algumas pessoas que nunca fui tão amiga, que só está lá no meu facebook nem imagina a simpatia tremenda que tenho por ela só por causa dos vários posts fantásticos! De postar examente o que eu penso, com propriedade, sem atacar ninguém, mas que eu, confesso, deixei de fazer pela preguiça dos comentários.
E ainda outro filtro importante: a religião. Por que uma mulher ainda em pleno século XXI ainda usa o Hijab para se guardar aos seus maridos (feminismo, oi?)? Por que ainda existe pessoas que se confessam com o padre seus pecados (como se ele não fosse pecador...)? Por  que ainda tem gente dando o dinheiro do dízimo pro pastor (!!)? Sério mesmo que tem gente que acredita em espíritos e reencarnação? E a macumba no terreiro? Que saco, por que você ainda não consegue respeitar a crença dos outros? E sim, eu me confesso com o padre regularmente, faço direção espiritual e vou à missa todos os domingos. Não estou em nenhuma pastoral no momento por conta da dificuldade da língua, mas sinto muita falta! Vai morrer esperando o cara que queira que eu use Hijab e me guarde especialmente pra ele. É completamente contramão dos meus princípios culturais. Mas acho a coisa mais linda a forma que uma mulher muçulmana fala sobre isso! Não é porque não é pra mim que preciso fazer piada ou desrespeitar. É assim tão difícil?
O importante aqui é: não precisa ser da mesma religião nem evitar falar do assunto. Nem oito nem oitenta.  Mas precisa ter um pouco de noção e caridade. O mundo não é azul, amarelo ou verde. Tudo depende das suas lentes, de onde você cresceu, o que viu, o que viveu. Ainda assim, confesso que o bonito da sociedade são as diferenças de como cada um enxerga o mundo. Torna as conversas interessantes sair um pouco da zona de conforto, sem vomitar as próprias “verdades” (?), falar sobre coisas que você não conhece e descobrir que tem um mundo maior que o seu particular. Não temos como tiramos nossas lentes de como enxergamos o mundo, mas podemos trabalhar um pouco mais a intolerância, política e religiosa, e explorá-lo!